As restrições geométricas do regulamento da competição SAE muda de 2 em 2 anos, em média. Essa mudança constante é responsável por uma das características mais bonitas do aerodesign, que é o processo criativo no qual toda equipe precisa conceber um conceito do zero, visto que um avião ótimo para um regulamento, provavelmente não será bom no outro. Esse estímulo cíclico de criatividade não existe à toa, fazendo isso, a comissão organizadora nos força a desenvolver uma qualidade muito procurada no mercado de trabalho, e há vários exemplos na história da engenharia aeroespacial para suportar este argumento.

NASA 905 aberto para visitação no Johnson Space Center em Houston, EUA.

Veja o caso dos Shuttle Carrier Aircraft (SCA’s), por exemplo. A década era a de 70, e a NASA vinha de era de ouro da corrida espacial. O primeiro homem já havia pisado na lua, e diversos voos já haviam sido realizados. Porém, com o conhecimento de engenharia aumentando o número de missões, a logística se tornava um problema grave. Os ônibus espaciais eram transportados por terra sempre que possível, mas o processo era longo e nem um pouco prático. Então, em 1974, a agência adquiriu um 747 da American Airlines, 5 anos após seu lançamento. Primeiramente usado para estudos de esteira de turbulência em aeronaves de grande porte, a sua contribuição ajudou a modificar as normas americanas de aviação. Após os estudos serem finalizados, ele foi entregue a Boeing para serem feitas mudanças que fariam dele um avião único até então. Foram adicionados dois estabilizadores verticais, sua fuselagem foi reforçada, toda a mobília sem utilização estrutural foi removida, e foram adicionadas instrumentações para monitorar cargas elétricas em voo.

Em 1977, depois de pronto, ele foi alvo de diversos testes em voo e de taxiamento, e finalmente foi validado para cumprir seu principal propósito, transportar os ônibus espaciais da agência.Do local de aterrissagem até o Kennedy Space Center, fazendo rotas que eram muito longas para transporte terrestre, ou atravessando um oceano para a exibição dos ônibus espaciais na Europa, o NASA 905 foi essencial para a engenharia aeroespacial, e quando foi aposentado em 2012, ele tinha mais de 11000 horas de voo. Já seu irmão, o NASA 911, que serviu como um SCA de 1990 até 2012, havia cumprido 33000 horas de voo.

A ideia de transformar um avião comercial de transporte de passageiros em um cargueiro para transporte de outra aeronave pode parecer insana, mas foi graças a criatividade e ousadia de diversos profissionais da área que ela foi possível, e ao incentivar as equipes a desenvolverem essas competências, o aerodesign ajuda a preparar os seus participantes para o mercado de trabalho.